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Período: 17 de setembro a 2 de outubro
Países participantes: 159
Atletas: 8.465 (6.279 homens e 2.186 mulheres)
Brasil: 24º lugar
Esportes: 27
NÚMEROS BRASIL
Atletas: 172 (138 homens e 34 mulheres)
Esportes: 21 (Atletismo, Basquete, Boxe, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica artística, Hipismo, Judô, Levantamento de peso, Luta, Nado sincronizado, Natação, Remo, Saltos ornamentais, Tênis, Tênis de mesa, Tiro, Tiro com arco, Vela e Vôlei)
Medalhas: uma de ouro (Aurélio Miguel, na categoria meio-pesado, no judô), duas de prata (Joaquim Cruz, nos 800 metros, no Atletismo; e equipe masculina de Futebol) e três de bronze (Róbson Caetano, nos 200 metros, no Atletismo; Torben Grael e Nélson de Barros Falcão, na classe Star, no Iatismo; e Lars Grael e Clínio de Freitas, na classe Laser, na Vela)
Agora o doping se torna o grande vilão dos Jogos
Se a Olimpíada de Munique-1972 foi manchada pelo terrorismo e as de Moscou-1980 e Los Angeles-84 pelo boicote político, em Seul o vilão foi o doping. O jamaicano naturalizado canadense Ben Johnson venceu a prova mais nobre dos Jogos, os 100m rasos, e ainda quebrou o recorde mundial, com 9s79. Qual não foi a surpresa ao se descobrir que Johnson estava dopado por esteróides anabolizantes. Sua medalha foi cassada e o primeiro lugar ficou com o americano Carl Lewis. Ao ser flagrado novamente no antidoping cinco mais tarde, Johnson seria banido definitivamente do esporte. Outros nove casos de doping foram registrados naquela Olimpíada.
Pela primeira vez desde 1976, as maiores potências esportivas participaram da Olimpíada. O único boicote de peso foi liderado pela Coréia do Norte - inimiga da Coréia do Sul, que organizava os Jogos e chegou a oferecer a realização de algumas a seu vizinho setentrional - e teve a adesão de Cuba, Nicarágua e Etiópia.
O tênis, que havia sido banido do programa olímpico 60 anos antes, voltou em Seul valendo medalha - em Los Angeles, havia sido esporte de exibição. Foi o primeiro passo para a abertura do movimento olímpico em direção ao profissionalismo, permitindo até mesmo a inclusão dos jogadores da liga profissional americana de basquete, a NBA, quatro anos mais tarde.
Pela segunda vez na história, os Estados Unidos foram superados pela Alemanha Oriental no quadro de medalhas. A primeira aconteceu em Montreal-1976. Foi também a última vez que isso ocorreu, já que no ano seguinte houve a reunificação da Alemanha. Em Seul, a União Soviética também competiu pela última vez. Quatro anos depois, os atletas do país, extinto em 1991, integraram a delegação da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que utilizava a bandeira do Comitê Olímpico Internacional.
Várias vezes recordista mundial, o soviético Serguei Bubka sonhava com um título olímpico. Ele conquistou sua única medalha de ouro no salto com vara ao conseguir 5m90 na terceira tentativa.
O momento mais dramático dos Jogos foi vivido pelo americano Greg Louganis. Nas eliminatórias de uma prova de saltos ornamentais, ele bateu a cabeça na prancha e teve de ser atendido pelos médicos. Na final, mesmo com um curativo na cabeça, Louganis conquistou o ouro.
Em Seul, o Brasil levou uma delegação recorde (172 atletas) até então, mas teve pior desempenho do que em Moscou-1980 e Los Angeles-1984. Foram conquistadas seis medalhas - uma de ouro, duas de prata e três de bronze.
O único ouro foi garantido pelo judoca Aurélio Miguel. As medalhas de prata foram trazidas por Joaquim Cruz nos 800m rasos, prova que havia vencido em 1984; e pela Seleção de futebol, repetindo a colocação da Olimpíada anterior - a melhor do Brasil no futebol até hoje. Comandada por Carlos Alberto Silva, a Seleção perdeu a final para a União Soviética por 2 a 1. Romário foi o artilheiro da Olimpíada, com sete gols. Além dele, o Brasil contava com outros quatro jogadores que seriam tetracampeões da Copa do Mundo em 1994: Taffarel, Jorginho, Mazinho e Bebeto.
As medalhas de bronze do Brasil foram conquistadas por Róbson Caetano nos 200m; a dupla formada por Torben Grael e Nelson Falcão na classe Star do iatismo; e o barco de Lars Grael e Clinio Freitas na classe Tornado.
Apesar de ter ficado em quinto lugar, a Seleção masculina de basquete também deu o que falar. O ala Oscar foi o cestinha do torneio, com média de 42 pontos por jogo, e ainda marcou 55 pontos numa partida contra a Espanha, estabelecendo o recorde de pontos numa partida de Olimpíada.
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Medalha dos Jogos
de Seul (1988) |
CURIOSIDADES
- Pela primeira na história olímpica, as três medalhas individuais no adestramento, do hipismo, são todas ganhas por mulheres.
- A esgrimista sueca Kerstin Palm se torna a primeira atleta a participar de sete Jogos Olímpicos consecutivos.
- Seul marca a estréia do tênis de mesa, dominado pela China e pelos anfitriões, e a volta do tênis após um hiato de 64 anos. A alemã Steffi Graf, maior tenista da época e vencedora de quatro torneios profissionais do Grand Slam, é a primeira campeã olímpica feminina após o retorno.
- Anthony Nesty, do Suriname, é o primeiro negro a ganhar uma medalha de ouro na natação e a primeira de seu país, nos 100m borboleta.
- Dois halterofilistas búlgaros têm suas medalhas cassadas após darem positivo no exame anti-doping. O escândalo faz com que a delegação da Bulgária se retire dos Jogos.
- O último time amador de basquete norte-americano em Olimpíadas perde pela terceira vez, em 11 edições, a medalha de ouro no basquete. Nos Jogos seguintes, com a presença de atletas profissionais oficialmente permitida, passariam a participar com sua força máxima convocada na NBA e mostrariam ao mundo o dream team de Michael Jordan e Magic Johnson.
- Lawrence Lemieux, velejador canadense da classe Finn, estava em segundo lugar rumo a uma medalha de prata na regata final de sua classe, quando abandonou a prova para ajudar um competidor que havia caído ao mar e se afogava. Lemieux acabou chegando apenas em 22º lugar, mas foi premiado pelo COI com a Medalha Pierre de Coubertin, por seu espírito esportivo e humanitário. Foi o único condecorado desta maneira até os Jogos de 2004, quando o maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima receberia esta mesma comenda, por seu espírito esportivo em continuar na prova após ser jogado para fora da pista por um fanático religioso, quando liderada a maratona perto da chegada. Com mais sorte que Lemieux, Vanderlei ainda conquistou a medalha de bronze.
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HERÓI DOS JOGOS - KRISTIN OTTO
A nadadora Kristin Otto, da Alemanha Oriental, é o maior nome dos Jogos de Seul, ganhando seis medalhas de ouro, ao lado dos norte-americanos Matt Biondi, que levou cinco, e Janet Evans, com três. Kristin também se imortalizou por ser a primeira mulher a conseguir ganhar seis medalhas de ouro em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos.
Ela se aposentaria apenas um ano após os Jogos, e portanto não chegou a competir quando a Alemanha se reunificou, também em 1989. Infelizmente, sua carreira foi posteriormente manchada pelas revelações das práticas de doping realizadas pelo comitê olímpico da antiga Alemanha Oriental. Seu ex-técnico, Birgit Meineke, admitiu publicamente que ministrava esteróides - então indetectáveis - a ela e a muitos outros atletas do país.
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