Olimpíadas de Pequim 2008

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1952 - Helsinque

Período: 19 de julho a 3 de agosto
Países participantes: 69
Atletas: 4.925 (4.407 homens e 518 mulheres)
Brasil: 24º lugar
Esportes: 19

NÚMEROS BRASIL
Atletas: 108 (103 homens e cinco mulheres)
Esportes: 15 (atletismo, basquete, boxe, esgrima, futebol, halterofilismo, hipismo, natação, pentatlo moderno, pólo aquático, remo, saltos ornamentais, tiro, voleibol e vela) Medalhas: uma de ouro (Adhemar Ferreira da Silva, no salto triplo) e duas de bronze (José Tellez da Conceição, no salto em altura, e Tetsuo Okamoto, nos 1.500m livre)

E, quem diria, um brasileiro cria a volta olímpica


A Finlândia já vinha se preparando para receber a Olimpíada desde 1938, quando aceitou substituir Tóquio como sede dos Jogos de 1940. Mas a invasão do país pelas tropas soviéticas forçou o cancelamento do evento, que acabou só sendo realizado em 1952. Na época Helsinque foi a menor cidade a receber os Jogos Olímpicos; tinha apenas 367 mil habitantes.

A cerimônia de abertura deu destaque a um atleta banido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) sob acusação de ser profissional. Paavo Nurmi, vencedor de nove medalhas de ouro, entrou no estádio carregando a tocha olímpica.

A União Soviética aceitou participar pela primeira vez dos Jogos, mas sua delegação e as dos outros países da "Cortina de Ferro" ficaram hospedadas numa Vila Olímpica à parte, no litoral do Mar Báltico. A entrada dos soviéticos fez com que os Estados Unidos tivessem pela primeira vez desde 1908 um rival à altura na disputa pelo quadro de medalhas. Esta disputa particular entre americanos e soviéticos duraria até a última Olimpíada do período da Guerra Fria, em Seul-1988.

Alemanha e Japão, que estavam ausentes dos Jogos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, foram readmitidos. A delegação alemã se apresentou unida, sem nenhuma distinção entre os lados ocidental e oriental, apesar de todos os atletas serem da Alemanha Ocidental, pois nesta época o Ocidente não reconhecia o lado Oriental como um estado legítimo. Esteve presente também a delegação do Sarre, uma região no sul da Alemanha independente desde o final da Guerra. Quatro anos depois, em seguida a um plebiscito, o Sarre voltaria a ser uma região alemã.

O destaque dos Jogos de 1952 foi o tcheco Emil Zatopek. Quatro anos antes, ele já vencera os 10.000m. Em Helsinque, a "Locomotiva Humana" conquistou mais três ouros: nos 10.000m, nos 5.000m e na maratona.

Na Finlândia, o Brasil voltou a ganhar uma medalha de ouro olímpica - fato que não acontecia desde 1920. O responsável pela façanha foi o triplista Adhemar Ferreira da Silva, que quatro anos mais tarde se tornaria o único bicampeão olímpico da história do Brasil. Durante a Olimpíada de 1952, Adhemar ainda quebrou quatro vezes o recorde olímpico e duas vezes o mundial. Sua maior marca foi de 16,22m.

Uma curiosidade histórica sobre Adhemar é pouco lembrada nos dias de hoje, apesar de ter se tornado um costume universal no esporte. Extasiados com a performance daquele negro desconhecido de um país longínquo, os torcedores finlandeses aplaudiam e gritavam entusiasticamente seu nome por todo o estádio. Vagarosamente então Adhemar começou a andar pela pista sorrindo e agradecendo os frenéticos aplausos. Cada vez mais incentivado a seguir em frente pela massa que o chamava e queria vê-lo de perto, Adhemar começou a trotar ao mesmo tempo em que acenava para a multidão e assim foi trotando em volta de todo o estádio olímpico. Inconscientemente, o campeão brasileiro criava ali a chamada volta olímpica, que nos anos seguintes e até nossos dias passaria a ser usada comumente pelos campeões de todos os esportes para saudar o público após suas vitórias.

Ainda no atletismo, o Brasil conquistou sua segunda medalha em Helsinque. No salto em altura, o carioca José Telles da Conceição alcançou a marca de 1,98m - recorde sul-americano - e ficou com o bronze. O outro terceiro lugar nos Jogos foi conquistado pelo nadador Tetsuo Okamoto nos 1.500m livre. O resultado rendeu ao brasileiro o apelido de "peixe-voador".

A decepção ficou por conta do basquete, que havia sido medalha de bronze em Londres. Em Helsinque, a equipe brasileira não passou de uma sexta colocação, com quatro vitórias e quatro derrotas.

Medalha dos Jogos
de Helsinque(1952)
CURIOSIDADES

- Helsinque registrou a presença em Jogos Olímpicos, pela primeira vez, da União Soviética, que, por reflexo da Guerra Fria então existente, instalou-se numa vila olímpica separada. A primeira medalha de ouro soviética em Jogos foi ganha por Nina Romashkova, no lançamento de disco e a equipe feminina de ginástica encantou o mundo conquistando facilmente a sua primeira medalha de ouro por equipes na modalidade, façanha que repetiria por oito Olimpíadas consecutivas.

- O carpinteiro sueco Lars Hall sagrou-se o primeiro campeão olímpico não-militar do Pentatlo Moderno.

- A fabulosa seleção húngara de futebol liderada por Ferenc Puskas conquistou o título olímpico e continuaria maravilhando o mundo até perder a final da Copa do Mundo para a Alemanha Ocidental dois anos depois, na Suíça. A Hungria, um país com apenas dez milhões de habitantes, conseguiu a extraordinária façanha de ganhar 45 medalhas nestes Jogos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da URSS.

- Josy Barthel, do pequenino Luxemburgo, provocou a maior surpresa dos Jogos ao vencer a prova dos 1500m no atletismo e conquistar a que até hoje é a única medalha de ouro do seu país.

HERÓI DOS JOGOS - EMIL ZÁTOPEK

Sexto filho de uma família pobre, o tcheco Emil Zátopek tornou-se um dos maiores nomes do atletismo em todos os tempos e recebeu o apelido de "Locomotiva Humana". É o único homem a vencer os 5.000m, 10.000m e a maratona numa mesma Olimpíada. O feito aconteceu em Helsinque-52, na Finlândia.

Zátopek já havia participado da Olimpíada de Londres de 1948, quando levou o ouro nos 10.000m e a prata nos 5.000m. Mas foi em Helsinque, aos 30 anos de idade, que conseguiu sua façanha gloriosa: venceu os 10.000m com o novo recorde olímpico de 29min17s. Quatro dias depois, conquistou a medalha de ouro nos 5.000m com o tempo de 14min06s6. E três dias depois, enfrentava a maratona no que era a sua primeira experiência na distância. Como era "calouro", Zátopek resolveu acompanhar os "especialistas" e acabou vencendo com o novo recorde olímpico de 2h23min04s.

Ao todo, Zátopek bateu 20 recordes mundiais em distâncias variando de 5.000m a 30.000m. Em 1951 tornou-se o primeiro homem a cobrir 20 km em uma hora (20.052m). Ainda participou da maratona dos Jogos de 1956, apenas 45 dias depois de se submeter a uma cirurgia de hérnia. Apesar do médico lhe recomendar ficar 2 meses sem correr, Zátopek completou a maratona em sexto lugar.

Na verdade Zátopek é uma referência no treinamento desportivo (no período pré-cientifico) por utilizar estratégias de treinamento nunca antes vistas. Ele utilizou o "interval training" pela primeira vez, fornecendo bases empíricas para as futuras pesquisas cientificas sobre esse método.

 

   

 

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