 |
Período: 1º a 16 de agosto
Países participantes: 49
Atletas: 4.066 (3.738 homens e 328 mulheres)
Brasil: não conquistou medalhas
Esportes: 21
NÚMEROS BRASIL
Atletas: 95 (88 homens e seis mulheres)
Esportes: nove (Atletismo, Basquete, Boxe, Ciclismo, Esgrima, Pentatlo moderno, Remo, Tiro e Vela)
Medalhas: nenhuma
Os Jogos de Hitler
Os Jogos de Berlim foram os mais polêmicos da história. O ditador Adolf Hitler tentou usá-los como uma maneira de divulgar o nazismo para o mundo e provar a supremacia dos alemães. Em termos de resultados, a Alemanha não decepcionou seu "führer": liderou o quadro de medalhas e organizou uma das melhores Olimpíadas até então. No entanto, o herói de Berlim-1936 foi o negro americano Jesse Owens, que conquistou quatro medalhas de ouro e recebeu suas medalhas diante do bigode indignado de Hitler, que se retirou às pressas da cerimônia.
Preocupados com a ascensão do nazismo, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e os Estados Unidos tentaram desde 1933 tirar os Jogos de Berlim. Os americanos chegaram a propor uma Olimpíada alternativa em Barcelona, que quase foi aprovada.
Mobilizados pelo regime, os alemães aderiram em peso à Olimpíada: mais de três milhões de espectadores estiveram nas arquibancadas. O evento também pôde ser acompanhado por meio de uma novidade: a televisão. Mais de 160 mil espectadores assistiram aos grandes momentos da Olimpíada em salas especiais, espalhadas por toda Berlim por meio de circuito fechado de TV a cabo. Para registrar a grandiosidade dos Jogos, o regime encomendou à cineasta Leni Riefenstahl a realização de um documentário oficial. "Deuses do estádio" acabou se tornando um clássico do cinema.
Foi em Berlim que se introduziu o revezamento da tocha olímpica. A chama foi conduzida por cerca de três mil atletas, desde a cidade de Olímpia, na Grécia, passando por sete países europeus até chegar à pira olímpica, no estádio de Berlim.
Enquanto os alemães davam um exemplo de eficiência, os brasileiros sequer sabiam qual seria a entidade responsável pela organização da delegação olímpica a um ano da realização dos Jogos. Fundado em 1914, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) só começou a funcionar em 1935 e reivindicou o direito de organizar a equipe, o que até então era atribuição da já extinta Confederação Brasileira de Desportos (CBD). A disputa só foi decidida na véspera do embarque, em favor do COB.
Os melhores resultados do Brasil foram obtidos na natação, no tiro e no atletismo. A nadadora Piedade Coutinho chegou em quinto lugar nos 100m livre. No tiro (categoria carabina, atirador deitado), José Salvador Trindade também foi quinto colocado. No atletismo, Sylvio de Magalhães Padilha ficou com o quinto tempo nos 400m com barreiras. Atleta também de basquete e pólo aquático, Padilha chegou à presidência do COB na década de 1960.
 |
Medalha dos Jogos
da Berlim (1936) |
CURIOSIDADES
- Pela primeira vez houve revezamento da chama olímpica, desde Olímpia, na Grécia, até o Estádio Olímpico. Mais de 3 mil atletas participaram do revezamento.
- Algumas competições e as cerimônias de abertura e encerramento foram transmitidas em algumas televisões espalhadas pela cidade de Berlim, algo inédito.
- Basquete, canoagem e handebol fizeram parte do programa olímpico pela primeira vez na história. - Nascido na Coréia, Sohn Kee-chung venceu a maratona correndo pelo Japão, que ocupava seu país de origem.
HERÓI DOS JOGOS - JESSE OWENS
Uma das mais marcantes performances de um atleta em uma edição olímpica foi protagonizada pelo americano Jesse Owens, em Berlim-1936. Negro descendente de escravos, Owens foi líder civil extremamente popular e se tornou conhecido mundialmente por ganhar quatro medalhas de ouro, nos 100 e 200 metros rasos, no salto em distância e no revezamento 4x100 metros.
Por muito tempo acreditou-se que Adolf Hitler teria se recusado a entregar a medalha de ouro a Owens no salto em distância, já que o americano havia derrotado o alemão Lutz Long. Mas depois ficou comprovado que o ditador não se encontrava no Estádio Olímpico quando da competição.
Infelizmente quando voltou aos Estados Unidos após os Jogos, Owens não foi homenageado, já que o racismo ainda era marcante no país no período. Mas a homenagem maior partiu do adversário Long, que o incentivava durante os saltos mesmo quando ele cometia algum erro.
As vitórias de Owens e dos negros americanos incomodaram tanto os nazistas, que os jornais alemães, controlados com mãos de ferro pelo ministro da propaganda Joseph Goebbels, omitiam as derrotas dos "arianos".
|