A realização da Copa do Mundo de 1950 no Brasil começou 12 anos antes, no Congresso realizado pela Fifa em 1938, em Paris, quando o jornalista Célio de Barros, presidente da Comissão de Assuntos Internacionais da CBD, garantiu que o país estava pronto para recebê-la.
A entidade máxima do futebol, na prática, estava dividida. Para alguns de seus membros, que não conheciam sequer a nossa exata localização geográfica, a Alemanha seria a melhor opção. Outros, porém, preferiam o Brasil, pois respeitaria-se sobretudo o ítem do estatuto da própria Fifa, que previa a alternância de continentes.
Logo, em abril de 1939, a CBD, à frente o presidente Luiz Aranha, convidou o seu colega da Fifa, Monsieur Jules Rimet, para uma visita de sonhos ao país. A hospitalidade do povo, as belezas naturais, as promessas de melhorias dos estádios, de construção do Maracanã - e acredite, até os prazeres da vida mundana, que tiveram à inteira disposição - acabaram encantando o francês e sua comitiva.
A turma da Fifa ainda fez uma viagem formal à Alemanha, antes de preparar o relatório que levaria ao Congresso previsto para 1940, em Luxemburgo. Mas a Segunda Guerra Mundial pôs fim a qualquer possibilidade de Copa na Europa, e o desejo de Rimet tornou-se enfim realidade no Congresso realizado em Londres, em 1948.
O Brasil realizou o torneio com 22 partidas em seis cidades, reunindo um total de 1.045.246 espectadores, média de 47.511 por jogo.
No livro oficial da Copa, editado por Fifa e CBD, Rimet fez elogios rasgados à organização. "Os jogos foram ardentes e leais, e contrariando as previsões dos rabugentos, nenhuma reclamação foi formulada. Os espectadores mostraram que a exaltação patriótica não exclui o respeito ao adversário, e que o football é um meio de preparar a paz nos espíritos", escreveu.
O Brasil, que desgraça, perdeu o título. Mas o saldo, ora bolas, foi bastante positivo, dado que pôs o país, então de economia essencialmente rural, no mapa-mundi. Foi capaz, também, de dar um mínimo de dignidade à imprensa esportiva, que soube trabalhar como autêntica relações públicas, honrando a confiança depositada pela Fifa desde a célebre visita de 1939, quando tudo começou. Que 2014 repita 1950. |