Blog do MONTEIRO

Formado pela Facha, iniciei a carreira em 1989, como estagiário no movimento sindical. De lá para cá, jornalismo foi a única coisa que fiz profissionalemente. Pós-graduado em 1998, pelo Jornal o Dia, onde trabalhei em duas oportunidades, e pela UniverCidade, desde então atuo como repórter. Atualmente, sou responsável pela cobertura diária do Botafogo.

monteiro@lancenet.com.br

NÃO TEM MAIS JEITO

postado por Carlos Monteiro

Ainda resta um pouco de esperança, como bem diz o samba de Jorge Aragão e Dedé da Portela. Mas acreditar, eu não. Para mim, com todo pesar que esta afirmação me causa, o Vasco já está rebaixado para a Segundona do Brasileirão. E eu estava lá, na chuva, ao lado de um aparente desconhecido, logo tranformado em amigo íntimo pela dor, pelo sofrimento. Voltei no tempo. Há muito não ia ao estádio com um sentimento tão forte de que a história mudaria. Mas não mudou. O Vasco, também de meu pai e meu filho, cumpria mais um rito rumo ao abismo inimaginável

O time montado pela administração de Eurico Miranda e mantido pela a de Roberto Dinamite não tem força. Seu máximo está longe, muito longe do mínimo do São Paulo. Renato errou tudo que tentou. Mas acertou ao dizer que a diferença técnica entre o Gigante da Colina e o São Paulo é enorme. Como é enorme também entre o Vasco e o Grêmio, o Cruzeiro, o Palmeiras, o Flamengo...

Sou de uma geração que viu os quatro títulos brasileiros, o tri carioca, a Libertadores, a Mercosul. Meninos, como meu pequeno Vinícius de 9 anos, o Vasco de Barbosa, Vavá, Roberto Dinamite, Juninho Pernambucano, Geovani, Romário, entre tantos outros craques, não merecia tal destino. Mas a bola pune, como bem alertara, certa feita, Muricy Ramalho. E o Vasco foi punido. Justamente punido por ela.

A bola não tolerou tanto desencontro, falhas e botinadas dos zagueiros. A redonda também não suportou a desordem, a briga política, os desmandos e a falta de projeto dos que chegaram há pouco a São Januário. O futebol puniu com o descenso um clube que passou décadas sendo comandado de forma ditatorial. Em tempos de ares democráticos, isso é imperdoável, não somente pela bola, mas principalmente pela vida.

Agora é reunir os cacos. O Vasco é grande como sua história propõe. A torcida, que tem comparecido em massa ao Caldeirão, com certeza voltará a lotá-lo na Segundona. As lágrimas que se misturaram à água da chuva, na tarde do último domingo, certamente não foram em vão e um dia voltarão a rolar, só que por alegria e não mais por tristeza.

CASACA!

24/11/2008 16:49

 

O TRISTE FIM DE BEBETO DE FREITAS

postado por Carlos Monteiro

O mandato de Bebeto de Freitas chega ao fim de forma melancólica. Herói na volta do Botafogo à elite do futebol nacional, o ainda presidente alvinegro deixa o clube isolado. Antes rodeado de alvinegros dispostos a mudar definitivamente o caos que habitava General Severiano, agora sai sem um único aliado. Mal-humorado incorrigível, de estilo centralizador, fez inúmeros desafetos.

Manoel Renha que o diga. Financiador da construção do Centro de Treinamento João Saldanha, com dinheiro do próprio bolso, Renha teve despesa como retribuição. Interessado em um camarote no Engenhão, Bebeto não aliviou: cobrou nada menos que R$ 90 mil para que o mecenas desfrutasse do local.

Ninguém duvida que Bebeto de Freitas foi um dos melhores presidentes do clube, que ajudou a resgatar o orgulho alvinegro. Principal articulador para a obtenção do Engenhão, Bebeto não conseguiu tornar o moderníssimo estádio na verdadeira casa do Botafogo. Megalômano, rejeitou propostas por considerá-las abaixo da grandeza do clube e acabou por transformar o Estádio Olímpico João Havelange em um verdadeiro elefante branco. Pouco mais de um ano após vencer a licitação, não conseguiu nem uma empresa sequer para explorar o estádio. Salvo o setor vip, explorado pela Visa, que vive sempre às moscas.

O Engenhão, inclusive, foi um dos principais motivos para a perda de espaço político de Bebeto. Antigos aliados não se conformam com a catastrófica administração do estádio. Tanto que a maioria deles rejeitaram imadiatamente a sugestão de transformar o hoje presidente em administrador do estádio.

Assim como em 2003, quando assumiu o Clube da Estrela Solitária, Bebeto deixa o Botafogo quase como o encontrou. Jogadores, como Carlos Alberto e Triguinho, buscam a Justiça trabalhista para conseguir receber o que lhes é devido, cofres vazios praticamente iviabilizam a próxima administração, sem contra os enormes problemas estruturais como atraso de salários e as precárias condições das sedes de General Severiano e Marechal Hermes. No currículo, um único título: o carioca de 2006. Quem diria, Bebeto se vai sem deixar saudades.

12/11/2008 18:00

 

Desncanse em paz, poeta de todas as Vilas!

postado por Carlos Monteiro

O Rio amanheceu mais triste nesta segunda-feira. Como se não bastasse a iminente queda de Vasco e Fluminense à Segundona do Brasileiro, Luiz Carlos da Vila, bamba do samba e profundo conhecedor da alma carioca, com seus botequins e afins, morreu, vítima de câncer.

Certa vez fui levado pelo amigo Antônio Jorge, lá de Irajá, à casa do poeta, na vizinha Vila da Penha, bairro do subúrbio da Leopoldina. Muito samba e comida da boa. Luiz, cercado por amigos e pela boa música era a imagem da felicidade, assim como eu e meu amigo, encantados com aquela roda dos sonhos. Já conhecia algumas jóias da obra do bamba, mas depois daquele dia passei a acompanhar Luiz bem mais de perto.

A proximidade aumentou ainda mais porque sou amigo de Luiz Carlos Máximo, jornalista e parceiro do mestre. Fui a vários shows. Assisti a várias canjas, seja no Samba do Trabalhador ou em participações nas mais variadas rodas do Rio.

Luiz Carlos da Vila, certa feita, explicou assim a origem do sobrenome que o samba lhe deu: "Comecei como o Luiz Carlos da Vila Isabel. Mas um amigo chegou a conclusão de que sou o Luiz Carlos de todas as Vilas. Vila da Penha, Vila Kenedy, Vila Kosmos..."

Eu dira, mestre: Luiz Carlos do Brasil.

Descanse em paz, poeta!

20/10/2008 16:43

 

O autoritário STJD

postado por Carlos Monteiro

Não poderia ficar sem tecer um comentário sobre o grande circo que se transformou o STJD. Em um dia, suspende Jorge Henrique e Carlos Alberto, no outro, concede efeito suspensivo aos jogadores. E as penas de 120 dias e oito jogos imputadas a Jorge Henrique e Carlos Alberto, respectivamente, além de exageradas, revelam o lado autoritário dos auditores do referido tribunal. Imagine a cena: auditor de bermuda, domingo de sol, cervejinha gelada e um amendoinzinho para acompanhar. Na telinha, um clássico nacional. Então, durante a trasmissão, vossa senhoria vê uma cena que julga inadequada, seja esportiva, ética ou moralmente e resolve punir o pivô dela. E se na súmula do jogo não constar nada? Dane-se o árbitro, pensa o auditor. No seu mundo, que se resume apenas ao seu próprio umbigo, não existe nada mais importante que a sua própria vontade. Que se danem os outros, pensa vossa senhoria. Uma vergonha! Lamentável!

17/10/2008 16:37

 

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